As Crônicas de Nárnia, é uma série de sete livros de fantasia, escrita pelo autor britânico1 C. S. Lewis. É a obra mais conhecida de Lewis, sendo a série considerada um clássico da literatura infantil, tendo vendido mais de 120 milhões de cópias mundialmente, figurando como uma das obras literárias mais bem sucedidas e conhecidas de todos os tempos, traduzida em 41 idiomas. Escrito por Lewis entre 1949 e 1954, as Crônicas de Nárnia foram adaptadas diversas vezes, inteiramente ou parcialmente, para a rádio, televisão, teatro e cinema. Além dos tradicionais temas cristãos, a série usa caracteres da mitologia grega e nórdica, bem como os tradicionais contos de fadas.
As Crônicas de Nárnia apresentam, geralmente, as aventuras de crianças que desempenham um papel central e descobrem o ficcional Reino de Nárnia, um lugar onde a magia é corriqueira, os animais falam, e ocorrem batalhas entre o bem e o mal. Em todos os livros (com exceção de "O Cavalo e seu Menino") os personagens principais são crianças de nosso mundo, que são magicamente transportadas para Nárnia a fim de serem ajudadas e instruídas pelo Grande Leão conhecido como Aslam (ou Aslan, dependendo da tradução).
Ainda durante sua infância, Lewis criava ilustrações para as histórias que escrevia.4 Quando o livro O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa estava prestes a ser publicado, ele havia pensado na possibilidade de ilustrá-lo, mas acabou solicitando uma desenhista profissional, Pauline Baynes, que na época tinha um pouco mais de vinte anos de idade, mas que já tinha ilustrado o último livro do autor J. R. R. Tolkien (chamado de Mestre Gil de Ham). Lewis, então, decidiu que ela seria a pessoa ideal para ilustrar as pessoas e os fantásticos seres em O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa; porém ela acabou ilustrando os sete livros da série.
No Brasil, a série As Crônicas de Nárnia foi editada inicialmente pela ABU Editora, e era praticamente desconhecida até o filme The Chronicles of Narnia: The Lion, the Witch and the Wardrobe, uma adaptação do segundo livro da série, ser lançado em 2005, que fez com que os livros fossem os mais vendidos no país.
Índice
Volumes da Série
Todos os sete volumes de As Crônicas de Nárnia foram escritas entre 1949 e 1954, tendo sido publicados originalmente no Reino Unido pela editora HapperCollins entre 1950 e 1956.
C. S. Lewis lançou inicialmente O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa em 1950, sem ter a intenção de produzir uma série de livros. Entretanto, encorajado pelas críticas positivas do público e de amigos (incluindo J. R. R. Tolkien, autor de O Senhor dos Anéis, de quem Lewis era grande amigo), o autor decidiu prosseguir, no ano seguinte, escrevendo outros livros contando outras histórias do mundo de Nárnia, as quais Lewis já estava desenvolvendo desde antes da publicação de O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa;
Ao longo do processo de escrita dos demais livros, que levou cerca de quatro anos, até 1954, Lewis aproveitou para retomar partes anteriores da história para preencher lacunas deixadas no primeiro livro e poder, ao mesmo tempo, contar o que ocorria posteriormente ao primeiro livro. Por isso a ordem de publicação não coincide com a ordem cronológica, que é estruturada através dos eventos que ocorrem nas histórias dos livros.
A ilustradora original foi a britânica Pauline Baynes, que fazia os desenhos à base de caneta de tinta, comuns nos livros publicados na época. Ao longo das décadas posteriores, a série se tornou um ícone da literatura fantástica, vendendo até a atualidade mais de 120 milhões em 68 países em que foi publicada, tendo sido traduzida em 41 idiomas — incluindo, francês, alemão, italiano, espanhol, português, sueco, irlandês, russo, grego, chinês, dinamarquês, norueguês, polonês, finlandês, turco, ucraniano, coreano, croata, hindi e japonês. Abaixo, serão apresentados as sinopses dos livros da série, em ordem de publicação.
The Lion, the Witch and the Wardrobe (1950) :
O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa (em inglês: The Lion, the Witch and the Wardrobe), concluído durante o inverno de 1949 e publicado em 1950, é o primeiro romance da série em ordem de publicação; porém, o segundo em ordem cronológica. Narra a história de quatro crianças humanas: Pedro, Susana, Edmundo e Lúcia Pevensie, que através de um antigo e misterioso guarda-roupa, chegam ao mundo de Nárnia, um exuberante país que enfrenta um terrível e prolongado inverno, imposto pela falsa rainha do país (a Feiticeira Branca), e que já completava cem anos. Com a ajuda do grande e poderoso leão Aslam, os irmãos Pevensie devem derrotar à terrível bruxa e trazer a paz de volta à Nárnia e a todos os que nela habitam.
Prince Caspian (1951):
Príncipe Caspian (em inglês: Prince Caspian ou até mesmo Prince Caspian: The Return to Narnia), concluído durante o outono de 1949 e publicado em 1951, é o segundo livro da série a ser publicado; porém, o quarto em ordem cronológica. Narra o retorno dos irmãos Pevensie à Nárnia, lugar onde passaram 1300 anos, enquanto que no nosso mundo apenas tinha passado um. Durante esse tempo, muitas coisas aconteceram: os telmarinos (humanos que vivem em Telmar) invadem à Nárnia, desmatando os bosques e assassinando as criaturas narnianas. É nesse momento que os Pevensie conhecem Caspian X, um bondoso príncipe telmarino. Logo após, eles deverão derrotar o telmarino e falso rei de Nárnia, Miraz (tio de Caspian), o atual comandante destes massacres no país. Para este plano se concretizar, eles terão novamente a ajuda de Aslam.
The Voyage of the Dawn Treader (1952):
A Viagem do Peregrino da Alvorada ou A Viagem do Caminheiro da Alvorada (em inglês: The Voyage of the Dawn Treader), concluído durante o inverno de 1950 e publicado em 1952, é o terceiro livro da série a ser publicado; porém, o quinto em ordem cronológica. Neste romance, apenas Edmundo e Lúcia Pevensie retornam à Nárnia, além do seu incômodo e emburrado primo Eustáquio Mísero. Juntos de Caspian X (que já era o rei de Nárnia) e do rato Ripchip, eles viajam à bordo do navio Peregrino da Alvorada, pois devem encontrar os sete fidalgos banidos por Miraz. Eles enfrentarão diversos perigos e aventuras em inúmeras ilhas, e como sempre, contarão com a ajuda de Aslam.
The Silver Chair (1953):
A Cadeira de Prata, ou O Trono de Prata (em inglês: The Silver Chair), concluído por Lewis durante a primavera de 1951 e publicado em 1953, é o quarto livro da série em ordem de publicação, o sexto em ordem cronológica, e o primeiro em que os irmãos Pevensie não aparecem. Nesta fantástica aventura, apenas Eustáquio Mísero e sua amiga de escola, Jill Pole, vão à Nárnia; estando lá, eles devem encontrar o Príncipe Rilian, o filho desaparecido do rei Caspian X (agora, uma pessoa idosa à beira da morte). Com os conselhos de Aslam, Eustáquio e Jill devem percorrer Nárnia em busca de Rilian, e acabam por descobrir que o príncipe foi sequestrado e hipnotizado pela Feiticeira Verde, que planeja, através do próprio Rilian, tomar Nárnia.
The Horse and his Boy (1954):
O Cavalo e seu Menino, ou O Cavalo e seu Rapaz (em inglês: The Horse and his Boy), concluído durante a primavera de 1950 e publicada durante 1954, é o quinto romance da série a ser publicado; porém, é o terceiro em ordem cronológica, pois se passa durante A Era de Ouro em Nárnia (ou seja, durante o reinado dos irmãos Pevensie). Narra a história do cavalo falante Bri e do garoto Shasta, ambos detidos em cativeiro na Calormânia. Durante a fuga, estes descobrem que a Calormânia pretende invadir Nárnia através da Arquelândia. Agora eles devem impedir que este ataque ocorra; para isto, passarão por incríveis aventuras, junto de Aravis e Huin.
The Magician's Nephew (1955):
O Sobrinho do Mago, ou O Sobrinho do Mágico (em inglês: The Magician's Nephew), concluído durante 1954 e publicado em 1955, é o sexto livro da série a ser publicado, e o primeiro em ordem cronológica. Este romance narra os acontecimentos durante os primórdios de Nárnia, preenchendo as lacunas deixadas no livro O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa. Através de uns anéis mágicos fabricados por André Ketterley (também conhecido como Tio André), Digory Kirke e Polly Plummer viajam até Charn, um mundo muito antigo sem vida, onde acabam por libertar acidentalmente à feiticeira branca: Jadis. Depois de muitos acontecimentos, eles chegam a um mundo que acabava de ser criado por Aslam: a Nárnia. O livro também relata a origem do guarda-roupa e de como ele foi parar no nosso mundo.
The Last Battle (1956):
A Última Batalha (em inglês: The Last Battle), concluída durante a primavera de 1953 e publicada durante 1956, é o último romance a ser publicado, e também o último em ordem cronológica. Depois que a Calormânia, juntamente como seu líder Tash, invadem Nárnia, ocorre uma grande e violenta guerra. Aslam, então, decreta o fim de Nárnia, fazendo as estrelas descerem do céu, o sol se apagar, e inundando todo o resto. Todos os humanos e criaturas boas e fiéis à Aslam, vão para o paraíso conhecido como País de Aslam; lá, todos os "amigos de Nárnia" (os Pevensie, Caspian X, Eustáquio, Jill, Digory, Polly) se encontram, exceto Susana Pevensie, que havia "esquecido-se" de Nárnia por causa das coisas materialistas.
Aviso: Terminam aqui as revelações sobre o enredo.
Ordem de Leitura [editar]
Os fãs da série As Crônicas de Nárnia possuem fortes opiniões sobre o correto modo de ler-se os livros da série. No início, os livros não eram numerados; a primeira editora americana que numerou os romances foi a Macmillan, que colocou número nos livros seguindo a ordem em que foram publicados. Quando a editora HarperCollins assumiu a série no ano de 1994, os livros foram renumerados, seguindo a ordem cronológica, tal como foi sugerido pelo enteado de C.S.Lewis, Douglas Gresham.
Ordem de Publicação Ordem Cronológica
O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa O Sobrinho do Mago
Príncipe Caspian O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa
A Viagem do Peregrino da Alvorada O Cavalo e seu Menino
A Cadeira de Prata Príncipe Caspian
O Cavalo e seu Menino A Viagem do Peregrino da Alvorada
O Sobrinho do Mago A Cadeira de Prata
A Última Batalha A Última Batalha
Lewis publicou inicialmente O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa em 1950, sem ter a intenção de produzir uma série de livros. Ao seguir escrevendo outros livros, aproveitou para retomar partes anteriores da história para preencher lacunas deixadas no primeiro livro. Por isso a ordem de publicação não coincide com a ordem cronológica dos eventos que ocorrem nas histórias dos livros. Não existe uma ordem oficial para a leitura dos livros, mas duas delas são mais conhecidas. Uma coloca os livros na ordem cronológica dos eventos que ocorrem ao longo da série, e a outra na ordem de publicação.
Na Ordem Cronológica, o livro O Sobrinho do Mago, que narra acontecimentos que antecedem O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa, aparece em primeiro lugar, e o livro O Cavalo e seu Menino, que narra acontecimentos que ocorrem no tempo descrito num parágrafo do livro O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa, aparece em seguida deste. Esta ordem foi sugerida por um leitor dos livros da série para o próprio Lewis, que gostou da ideia, mas nunca a tomou como oficial. Várias edições dos livros os colocam nesta ordem.
Na Ordem de Publicação, os livros seguem a ordem em que foram publicados. Aqueles que defendem esta ordem de leitura, comentam que nessa sequência o leitor explora o universo criado por Lewis na ordem em que ele foi imaginado pelo autor. Isso tornaria a história mais coerente, alegando, por exemplo, que a verdadeira apresentação inicial de Aslam está no livro O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa (o primeiro a ser publicado), e não em O Sobrinho do Mago (o primeiro em ordem cronológica). Muitos leitores, fãs e críticos, acreditam de que este seja o modo correto de se ler a série, pois em O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa (primeiro livro em ordem de publicação; porém, o segundo em ordem cronológica), Nárnia é explorada, tomando conhecimento ao decorrer do livro. Já no romance O Sobrinho do Mago (sexto livro em ordem de publicação; porém, o primeiro em ordem cronológica), Nárnia foi exibida de um modo "familiarizado" aos leitores.
Paralelos cristãos
Clive Staples Lewis foi uma pessoa convertida ao cristianismo, e que tinha anteriormente obras relacionadas à teologia e apologética cristã. Porém, ao contrário do que muitos pensam, Lewis não possuía a intenção de empregar conceitos de teologia cristã nas histórias ficcionais da série As Crônicas de Nárnia. Segundo um relato do próprio Lewis, a sua intenção inicial não era usar temas cristãos; estes somente teriam sido naturalmente incorporados durante o processo de criação. O conteúdo cristão da série é o centro de um caloroso debate entre os seus críticos e defensores. Muitos cristãos entendem a série como um grande meio de evangelização, enquanto outros colocam os livros como um meio subliminar de passar valores pagãos. Alguns críticos apontam que a temática cristã em vários dos livros é tão sutil que dificilmente é identificada por leitores que não estejam familiarizados com elas, embora tal sutileza permita a penetração no público não cristão.Em todos os romances da série são encontrados, supostamente, fatos relacionados à acontecimentos bíblicos. Entre eles, o mais famoso seria o fato de que muitos cristãos acreditam que o personagem ficcional Aslam é uma alegoria a Deus; isso deve-se ao fato de que o personagem está presente do início ao fim da história, e criou o mundo de Nárnia através do seu canto (como podemos conferir no livro "O sobrinho do mago". Lewis alega ser uma grande coincidência o fato de que Jesus seja chamado como O Leão da tribo de Judá, pois o personagem Aslam representa a figura de um leão. Outra curiosidade é uma passagem onde Aslam diz: "Também sou conhecido no seu mundo, mas por outro nome"Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso.—Apocalipse 1:8E disse-me um dos anciãos: Não chores; eis aqui o Leão da tribo de Judá, a raiz de Davi, que venceu, para abrir o livro e desatar os seus sete selos.—Apocalipse 5:5Com o lançamento de The Chronicles of Narnia: The Lion, the Witch and the Wardrobe em 2005, as acusações re-iniciaram.5 Algumas pessoas que seguem o cristianismo acham desagradáveis estas temáticas, enquanto que as pessoas não familiarizadas com o cristianismo, não chegam a perceber estas supostas "Temáticas Cristãs". Muitos cristãos, por sua vez, acreditam que a série de Lewis seja uma excelente ferramenta para o evangelismo cristão. A questão do cristianismo nos romances se tornou o ponto focal de muitos livros.
J. R. R. Tolkien
J. R. R. Tolkien foi um grande amigo de C.S.Lewis, um autor de inúmeras obras literárias, e também o responsável pela conversão de Lewis ao Cristianismo. Tolkien e Lewis, juntamente de outros escritores, faziam parte do grupo "The Inklings", que consistia na discussão das histórias criadas pelos autores deste mesmo grupo. No entanto, Tolkien não estava entusiasmado com as histórias de Lewis,6 pois em parte, discordava com o modo de empregar as criaturas mitológicas de uma forma que não poderia agradar ao público, principalmente àquele que fosse cristão ou soubesse que Lewis era convertido ao Cristianismo, já que a mitologia é considerada como paganismo para certas religiões. Tolkien também criticou alguns atos relatados nas histórias, como as viagens entre o nosso mundo e Nárnia. Embora houvesse criticado em diversos pontos as histórias de Lewis, Tolkien alegou que o enredo desta história seria um instrumento para emitir-nos valores cristãos e bíblicos
Vida de Lewis
Lewis agregou, diversas vezes, acontecimentos de sua vida nas histórias da série. Nascido em Belfast, Irlanda, Lewis mudou-se para um local na orla da cidade, quando ainda possuía sete anos. A nova casa continha longos corredores e muitas salas vazias, onde Lewis e seu irmão imaginavam viajar entre mundos ao mesmo tempo em que exploravam a casa. Do mesmo modo como Caspian X eRilian, Lewis perdeu precocemente sua mãe. Durante sua juventude na Inglaterra, Lewis tinha que embarcar em trens para chegar à escola, o que possui coerência e coesão com a trajetória dos irmãos Pevensie. Durante a Segunda Guerra Mundial, muitas crianças eram evacuadas de Londres para outros locais por causa dos Ataques Aéreos. Nesse período, algumas crianças ficaram abrigadas na casa de Lewis, inclusive uma garota chamada Lucy (Lúcia em português brasileiro), fazendo-nos lembrar a hospedagem de Lúcia Pevensie e seus irmãos na casa do Professor Kirke.